sexta-feira, 11 de maio de 2018

O GP da Espanha por ângulos diferentes

Um lugar onde tive a imensa satisfação de poder estar entre 2011 e 2014.

Entre centenas de fotos, selecionei algumas do "arquivo pessoal" para deixar aqui.









































quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por que é importante que Azerbaijão 2018 seja lembrado como exemplo positivo ao invés de negativo

Você se lembra de um GP em que Senna e Prost trocaram de posições tantas vezes numa mesma corrida, com tentativas por dentro e por fora, como fizeram os garotos da Red Bull no último domingo?





A Force India viu toques entre seus pilotos e decretou a proibição total de disputas na pista. A Ferrari, a grande equipe da história da Fórmula 1 e aquela que deveria ser a mais enraizada ao esporte justamente por ter vivido o passado tão rico da Fórmula 1, trabalha claramente para apenas um carro, sendo avessa a batalhas internas. A Mercedes assumidamente contratou um piloto que "convive bem com o outro lado da garagem" – nas palavras ditas pelo próprio Toto Wolf.

Essa é a razão da reflexão expressa neste e no texto anterior.

O que preocupa e, confesso, me causa grande incômodo é ver a turma do “está vendo só” acreditar cada vez mais ter razão. Os que dizem “está vendo só como tem que proibir”, ou que clamam “está vendo só porque essa ou aquela equipe não permite brigas?”. Tenho forte impressão que essa turma ganha mais adeptos quando acidentes como o da Red Bull no Azerbaijão ocorrem. Há pouco tempo lancei no twitter um post condenando a postura pobre da Force India com Perez e Ocon, e me surpreendeu o número de fãs que defendia a proibição, como se o resultado da equipe viesse antes mesmo do divertimento deles próprios, os fãs.

Hoje em dia, muita gente que vai para uma arquibancada ou que assiste pela TV prefere ou aceita que lhe sejam negadas disputas que podem entrar para a história, ou deixar boas "marcas", como potencialmente faziam Ricciardo e Verstappen antes do contato. Nessas horas me pergunto onde está a imprensa, onde guardaram os fundamentos do jornalismo de sempre questionar decisões que beneficiam poucos em detrimento dos muitos que são a razão de existir de qualquer esporte ou produto televisivo.

Um parênteses: não assisti às transmissões nacionais da corrida pela TV – como faço já há 6 anos – mas durante o podcast Café com Velocidade foi citado que comentarias daqui “previram” a batida, algo na mesma linha do que escrevi no post anterior sobre o comentário feito na TV inglesa. Como alguém formado em jornalismo, me espanta e causa lamento ver outros profissionais da área defendendo intervenções “prévias” de equipes em disputas internas, ou achando absurdo e não reconhecendo o valor para o automobilismo que existe em dois carros “da mesma cor” dividindo uma freada.

A Fórmula 1 é muito mais Fórmula 1 quando se depara com uma disputa entre competidores que ocupam a mesma garagem. Isso não deveria ser um “corpo estranho”, muito pelo contrário. A tensão inerente à esse tipo de situação deixa as pessoas que assistem ainda mais ligadas, ainda mais envolvidas e ampliam ainda mais a repercussão no intervalo entre um GP e outro. Quem não está esperando ou já imaginando como vai será na próxima corrida se as duas Red Bull estiverem próximas uma da outra na pista?



Pensemos o seguinte, caro leitor ou leitora: qual grande rivalidade vem à mente quando se fala em Fórmula 1 e seu passado? Para a grande maioria, os nomes que surgem na cabeça são Senna e Prost (em grande parte graças ao fato do brasileiro e do francês terem brigado e duelado enquanto trabalhavam sob o mesmo teto).


Pois eu não me recordo com facilidade de um GP em que Senna e Prost tenham se emparelhado, roda a roda, tantas vezes e por tantas voltas como Ricciardo e Verstappen. É claro que ambos travaram grandes duelos, e certamente boas manobras existiram de fato - como em Ímola em 89... Mas o ponto é que é mais fácil lembrar-se de Senna e Prost se chocando em Suzuka do que trocando de posições 5 ou 6 vezes na mesma prova, com um deles tentando ora por dentro ora por fora, como os garotos da Red Bull fizeram no último domingo.

Mas infelizmente Ricciardo e Verstappen, depois de mostrar tanta qualidade e técnica, escorregaram e protagonizaram uma batida. Uma batida que tem, nos dias atuais, um potencial destrutivo muito grande, porque não fez apenas com que uma grande equipe tenha perdido pontos no Campeonato Mundial, mas pode ter feito com que muitos cheguem à conclusão que liberar pilotos para brigar entre si é algo maléfico, ou algo tão perigoso que merece ser podado desde a raiz. Outras equipes podem, vendo o que aconteceu, endurecer suas regras como fizeram as citadas no 1º parágrafo. Espero não estar certo, mas enxergo enorme risco de se associar qualquer disputa interna a um "acidente em potencial".

Como se um toque não pudesse ser discutido, trabalhado e não se pudesse EVOLUIR com base nele. Jamais deve-se relevar este tipo de batida, mas sim usar o que aconteceu e tentar trabalhar em cima disso, seja conversando com os pilotos, seja punindo financeiramente, seja até mesmo suspendendo alguém (mesmo sendo surreal de se imaginar que isso aconteça de fato). Há muitas opções em alternativa à pura e simples proibição.

Importante que a imprensa e os fãs entendam que possuem um papel a cumprir em momentos como esse: o papel de não aceitar que a Fórmula 1 - e por consequência o automobilismo - fiquem mais pobres depois de GPs tão ricos. 


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Até quando o automobilismo resistirá a toques entre companheiros de equipe?


"O automobilismo corre enorme risco se passarmos - se é que já não passamos - a enxergar qualquer disputa entre companheiros de equipe como um acidente em potencial, e se começarmos a nos preocupar ao invés de nos divertir com exibições como a que Ricciardo e Verstappen fizeram antes do toque"





A batida foi na volta 40. Até ali, Ricciardo e Verstappen dividiram curvas repetidas vezes. Foram praticamente 80% da prova percorridos com um desafiando incansavelmente o outro. Durante o duelo, as câmeras de televisão mostravam, também repetidamente, os “senhores” dos boxes. Bastava uma freada com o holandês e o australiano lado a lado, uma fritada de pneu, que logo tínhamos as imagens de Christian Horner, Helmut Marko ou Adrian Newey. O foco nos carros não bastava. É preciso sempre mostrar o “chefe”, como a encará-lo buscando um possível indício de reprovação. A briga na pista ocorre com a benção destes senhores, é o que parecem querer dizer os cortes de imagem para os boxes sempre que dois companheiros batalham no asfalto.

Essa mentalidade existir de fora para dentro já é algo que, de forma preocupante, vale uma reflexão. Mas é muito pior quando a resistência à briga entre empregados de um mesmo time está enraizada em uma categoria. Há forças muito grandes dentro da Fórmula 1 que julgam como algo desnecessário, ameaçador até, o chamado duelo interno. Assistimos ao longo dos últimos anos vários exemplos desse modo de pensar, em várias equipes diferentes. Quando acontece o que aconteceu com Verstappen e Ricciardo no Azerbaijão, a F1 passa a correr um risco enorme.

O que deveria ser um acidente sem grandes consequências (a não ser para o próprio time, é claro) para o futuro do maior campeonato de corridas do mundo pode ter sido mais passo rumo ao dia em que pensar em companheiros brigando lado a lado será coisa do passado... Basta recordar algumas decisões recentes na categoria para saber que Baku tem chances de se tornar um exemplo do que NÃO FAZER, ao invés de ser lembrado por algo que encantou a todos por cerca de 39 voltas...

Hoje, das pessoas que estão envolvidas com a Fórmula 1, talvez a grande maioria não foi criada no automobilismo. Não são “gente de corrida”. Muitas das cabeças pensantes que tomam decisões em cima de situações como a da Red Bull no Azerbaijão são oriundas do ramo empresarial, onde resultados estão acima de tudo e para as quais os fins (ou objetivos) justificam os meios – mesmo que “os meios” passem por rasgar e romper com as características mais fundamentais do esporte.

Não digo que seja o caso propriamente da Red Bull – Christian Horner e Helmut Marko são crias de autódromos – e talvez por isso a notícia mais recente indica que não irão cair na tentação de proibir seus pilotos de brigar - algo tão nocivo para o esporte. Mas o problema é: o que aconteceu no circuito do Baku pode ter ramificações em outras equipes, ou até mesmo em outras categorias. Um acidente entre companheiros deixou de ser algo condenável e passou ser algo inadmissível, como se toques em uma corrida de carros fossem o fim de todos os mundos.

O pensamento expresso neste texto baseia-se puramente no que vemos nos tempos atuais. Um exemplo? Durante a fantástica briga que Ricciardo e Verstappen travavam antes do toque, o ex-piloto Paul di Resta comentava, na TV inglesa, que a Red Bull já poderia, ou deveria, exercer algum controle sobre a briga com o pretexto de “otimizar o resultado” – como se o resultado estivesse acima de tudo e justificasse qualquer intervenção que torne estéril o decorrer da prova para quem a assiste.


Ricciardo e Verstappen erraram de fato. Jogaram fora pontos preciosos. Mas também deram um show, mostraram que disputas de freadas podem ser realizadas com técnica e precisão. De fato, se exige de um piloto de Fórmula 1 que evite o erro do começo ao fim, e logicamente o toque vai gerar mais "barulho" do que qualquer outra coisa, mas não se pode apagar o divertimento proporcionado ao público na maior parte da prova pelos pilotos da equipe.



Proibir uma disputa na pista é o caminho mais fácil. Essa decisão que pulveriza o elemento mais indispensável para as corridas de carros é a mais cômoda, além de arbitrária e muitas vezes prejudicial para a própria equipe. Nesses momentos de pressão vinda de várias direções é que líderes de equipe como Horner e Marko têm uma oportunidade. É preciso agir contra o toque? Sim. Devem ser duros a portas fechadas? Também. Mas sem jogar na lixeira aquilo que atrai fãs, público, TV e atenção tão fundamentais para o esporte seguir como objeto de fascinação e atração para um público que o campeonato busca conquistar.

Donos de equipe têm obrigações e deveres com seus empregados e empregadores de defender suas escuderias até onde for possível. Mas, muitos deles não percebem, possuem também uma responsabilidade de não eliminar com uma "canetada" algo que, apenas por existir, gera frutos e é bom para o bolso deles próprios: as disputas na pista.

As pessoas dentro da Fórmula 1 não possuem o hábito de olhar o negócio como um todo. Muitos, como por exemplo os competentes mas opacos comandantes da Force India, pensam apenas no resultado próprio e imediato. Não lhes passa pela cabeça que um Grande Prêmio do Azerbaijão sem a batida mas com a disputa na pista que ocorreu por quase 40 voltas já teria gerado uma corrida tão boa que traria uma repercussão extremamente positiva para a Fórmula 1.

A Fórmula 1 vive um bom momento. Está em alta. As pessoas estão ansiosas para ver o que vai acontecer no próximo GP. Uma batida não pode colocar isso a perder, embora a história recente aponte para esse risco. A Red Bull tem competência e um passado que a credenciam a não dar um tiro no próprio pé. Colocar os pilotos numa sala e fazê-los entender que podem fazer mais para evitar uma batida, sem autoritarismo e proibições, será benéfico não apenas para a equipe como para a própria Fórmula 1, e é aí que reside a "responsabilidade" citada acima. Quem gosta de ultrapassagens agradece.



* Para que o texto não se estenda, amanhã posto a "Parte 2"....

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Daniel Ricciardo pode não ser um gênio, mas sem dúvida é genial

"Daniel Ricciardo é o Gilles Villeneuve dos tempos atuais – um piloto que não precisa ser campeão do mundo para ter seu nome lembrado daqui a décadas"





Eu tenho o costume de dizer que corridas valem mais do que campeonatos, o que ao bater o olho pode parecer uma afirmação sem sentido. É claro que um campeonato constitui um desafio e possui uma dimensão que não se compara ao valor de um GP sozinho. Mas corridas algumas vezes são subjugadas em nome de campeonatos... A soma de pontos que torna um piloto campeão é algo, digamos, abstrato. Trata-se de uma virtual soma de números que se reflete num pedaço de papel ou tela de um computador. Já as corridas são – ou deveriam ser – algo muito mais real, algo concreto que se materializa diante dos nossos olhos e que tem a capacidade de nos atingir como o domingo de Fórmula 1 em Xangai nos atingiu.

Não seria leviano constatar que o que se passou dentro da pista no GP da China supera, por si só, campeonatos inteiros que vimos no passado. Se me perguntarem, eu não trocaria a corrida de Xangai por todo o campeonato de 2002, ou o de 2004 talvez...

Assistimos a vários lances dignos de levantar-se da cadeira na corrida chinesa, mas nada chega ao nível do que fez Daniel Ricciardo. O australiano na quinta-feira já declarava que teria partido para o ataque no Bahrein caso estivesse ele em 2º e entrasse na última volta com o carro tão próximo da Ferrari de Vettel (quem acompanhou entrevistas via imprensa internacional percebeu que ele tocou no assunto até em momentos em que não foi perguntado). E então poucos dias depois de “cutucar” Bottas, Daniel prova com ações que não há como duvidar dele quando o assunto é ultrapassagem.

Este garoto já está na Fórmula 1 desde 2011. Este garoto – que no Café com Velocidade já batizei de “ultrapassador” – nos brinda com manobras como essas desde 2014, quando ascendeu à Red Bull. Daniel Ricciardo é o Gilles Villeneuve dos tempos atuais – um piloto que não precisa ser campeão do mundo para poder ser lembrado daqui a décadas, a não ser por aqueles que se apegam mais a números do que a atuações dentro da pista, o que definitivamente não é o meu caso.

Existem ultrapassagens e ultrapassagens, e as que esse australiano executa são de uma técnica tão peculiar, e ainda melhor, são de uma OUSADIA tão visível que até um leigo ou aquele que assiste a um GP pela primeira vez é capaz de notar a diferença. Mais do que um piloto com talento (como vários outros do grid) o que diferencia Ricciardo é seu ÍMPETO, é o fato de transformar em realidade aquilo que passa na cabeça de 98,4% dos pilotos quando estão colados no carro da frente.

Ricciardo faz bem ao automobilismo não porque guia bem, porque sorri toda hora ou porque é sincero em entrevistas. Ricciardo faz bem ao automobilismo porque mostra como ultrapassagens dão vida a uma corrida, e como arrojo e técnica podem e devem ser colocados em prática. O ataque final a Bottas na curva 6 de Xangai deveria ser exibido em cursos de pilotagem.





Daniel estará sem contrato ao final do ano. Não tenho informações do seu futuro, mas me parece impensável que Ferrari ou Mercedes não estejam alinhando ou já efetivando propostas para “seduzir” o australiano. Quanto vale Ricciardo em comparação com alguns (bons) finlandeses que estão grid atual da Fórmula 1? Daqui desse cantinho, torço para que renove com a Red Bull, pelo simples fato dos austríacos não engessarem disputas internas entre companheiros, algo que seus rivais fizeram em tempos recentes. A Red Bull já lidou, mais de uma vez, com toques e acidentes entre seus pilotos, e nem por isso optou pelo “empresarialmente correto” caminho da proibição.

Não vi pilotar o "Villeneuve pai", o que constitui talvez a grande frustração da minha “vida automobilística” – juntamente com Jim Clark, dois nomes que eu trocaria muita coisa para poder ter a chance de assisti-los com meus próprios olhos. O que vi de Gilles foram algumas de suas manobras magistrais. Sei que não foi campeão do mundo, mas sei que guiava com técnica incrível, com ousadia e com arrojo. O que sei é que não precisou de resultados para entrar no grupo dos grandes da Fórmula 1.

Assim como Daniel Ricciardo...

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexões que o GP do Bahrein levanta

Em caráter experimental, vamos ver se uma seção focada especificamente em reflexões baseadas nos acontecimentos de um GP agrada aos leitores deste espaço...

Se “pegar”, pode se tornar uma seção fixa por aqui...



Pneus - Ocorreu em apenas uma corrida, e ainda assim disputada sem nenhum sol. De fato é cedo para alcançar conclusões, mas pela 1ª vez na “Era Pirelli” pode-se ter chegado ao ponto em que não existe um tipo de pneu nitidamente melhor que outro para vencer uma prova. Ou seja: pode ser que esteja aberta a possibilidade de haver, enfim, opções de estratégias com reais chances de fazer uma equipe conseguir bons resultados. É melhor do que o tipo de pneu que apimenta corridas porque "se derrete"... Ter pneus com variação equilibrada entre resistência e desempenho pode criar alternativas verdadeiras de caminhos a serem escolhidos pelos times, o que é diferente de existir uma opção única e ganhar aquele que trabalhá-la melhor.

*** A “abertura” de estratégias pode ser uma vantagem dos novos pneus, mas que as corridas não se tornem jogos de xadrez. Para quem gosta de ação, é melhor que Mercedes e Ferrari disputem freadas ao invés de pit stops.


Mercedes – “Nosso carro não gosta do calor”, foi a frase dita claramente por Toto Wolff no Bahrein. Ser for mesmo o caso, é um problema, pois quase toda a parte europeia do calendário será sob elevadas temperaturas. Poucos se lembram de um detalhe: a Mercedes não testa com os pneus mais macios na pré-temporada... Sempre anda APENAS com os compostos mais duros. Pode estar pagando por isso nesse começo de ano. Mas vale lembrar que também não tinham alcançado a "sintonia fina" no início de 2017 e, quando ajustaram a máquina, ninguém mais os alcançou.


Verstappen – Tentou ultrapassar, CONSEGUIU, e "abriu" a curva do mesmo modo como 96% dos pilotos fazem. Pessoalmente, sou contra essas chamadas “espalhadas” – acho que deveria ser obrigatório não alargar a curva para que o ultrapassado sempre tenha espaço/chance de defesa. Mas o que fez é algo absolutamente comum e corriqueiro em corridas. Li gente chamando a tentativa de ultrapassagem de “arrogante” (incrível como a ultrapassagem para alguns é algo que, em certas ocasiões, até incomoda)... Toques entre carros acontecem, é sempre importante não se esquecer...



Bottas – Meu critério de análise sempre faz com que eu evite me colocar na posição de presumir se era possível um piloto atacar outro ou não. Mas já vimos algumas vezes - mesmo em 2017, portanto com este modelo de carro – pilotos arriscarem freadas onde a possibilidade de erro era grande, mas em situações em que a ousadia valia o risco e muitas vezes tendo êxito. Bottas estava muito perto de Vettel na freada da curva 1 na volta final. Difícil – dificílimo – imaginar Ricciardo ou Verstappen na mesma situação sem ao menos tentar uma manobra vencedora diante de carros tão próximos... Valtteri é indiscutivelmente um bom piloto. Mas não é e creio que nunca será um dos grandes. Seu emprego segue em risco para o ano que vem.


McLaren – Muito, muito abaixo de sequer liderar o “pelotão do meio”... Não é fácil a situação da equipe. Não há nenhuma garantia de que tão cedo vá retornar à posição de concorrente a vitórias. Em relação ao pelotão do meio, o único ponto de possível otimismo é que possui capacidade ($) de desenvolvimento largamente superior à de Toro Rosso, Haas ou Force India. Mas hoje tem menos carro que a Renault, isso já parece claro.


Vandoorne – Aos poucos e quase que silenciosamente, a “percepção” positiva em torno dele vai se apagando. Não tem outra alternativa: precisa no mínimo disputar com Alonso na pista. Não quer dizer que tenha necessariamente que superar o companheiro, mas seguir distante dele em termos de ritmo e resultados pode ser fatal numa equipe que vem abastecendo suas fileiras de candidatos a uma vaga.


Carlos Sainz – Não faz um bom começo de ano, e sua situação conta com um agravante: a boa performance de Gasly pode ser ruim para seu futuro, ao mudar a ordem na fila para um possível substituto de Ricciardo no time principal da Red Bull. Embora essa possibilidade ainda seja apenas um rascunho, a comparação com Hulkenberg tem sido fortemente desfavorável ao espanhol por enquanto.


Williams – Está pagando à vista por ter priorizado o caixa ao invés da pista. Claire Williams é muito incompetente para ocupar o cargo que ocupa. O carro é ruim, a equipe é mal gerida e não possui pilotos para “forçar” um ou outro brilho como, por exemplo, Alonso fez com a McLaren nos anos recentes.



Faltou algum ponto que não poderia deixar de ser analisado? Concordou ou discordou fortemente de algum dos tópicos acima? Lembre-se que todos os comentários são respondidos antes do próximo texto ser publicado!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O mal que a Haas não faz

"Permitir parcerias como a de Ferrari-Haas seria estender a mão para a entrada de equipes de corrida ao invés de incentivar apenas a chegada de grandes corporações, montadoras gigantescas, que pensam mais em seus balanços financeiros do que no crescimento do campeonato a longo prazo"




Ataques e insinuações pelo desempenho da Haas começaram após o Grande Prêmio da Austrália. O que me trouxe à mente, antes de qualquer coisa, a ideia de que as acusações só vêm à tona na Fórmula 1 quando quem supostamente burla o regulamento consegue de fato um resultado. A relação da Haas com a Ferrari existe desde 2016, ou seja, fica no ar algo como "pode-se agir de forma ilegal desde que não se andem à frente de alguns".

Mas vamos Além, como demanda o título do blog...

Antes de mais nada, são ataques e acusações que até agora não trouxeram nenhuma comprovação técnica - e não tenha dúvida caro leitor/leitora que as equipes podem muito bem indicar (de forma precisa e nada genérica) o que de fato há de ilegal sob a carenagem de um concorrente. Jamais subestime a capacidade de conhecimento mútuo que estes times possuem e que os fãs sequer sonham em saber.

O que muitos dos integrantes da Fórmula 1 não percebem - com seus olhares limitados e que se pautam unicamente no interesse próprio e que os tornam portanto incapazes de pensar no NEGÓCIO como um todo - é a oportunidade que o “fator Haas” pode trazer para uma saudável mudança no futuro da categoria.

A Fórmula 1 não é um esporte caro. É um esporte caríssimo. A estrutura e os investimentos mínimos necessários para participar do circo inviabilizam que o grid aumente quantitativa e qualitativamente. Seria fundamental que NOVOS participantes se juntassem ao “espetáculo”. A Fórmula 1 vive há décadas a “era da assimilação de times”, ou seja: quem quer entrar tem quase como única alterativa comprar uma equipe do grid. Convenhamos, é bem mais barato do que levantar um prédio inteiro para transformar em fábrica ou contratar centenas de pessoas começando do zero, só para citar 2 exemplos.




Você sabe quantas equipes, nos últimos 20 anos, entraram na Fórmula 1 criando estrutura própria, consequentemente levando o número de carros no grid a crescer? Foram SEIS... Seis em 20 anos! Toyota, Super Aguri, Caterham, Virgin e HRT, além claro da Haas. Dessas, 4 sucumbiram por absoluta falta de condição. E ao invés da Fórmula 1 explorar um raro “case de sucesso” como o do time americano, ela o enxerga com suspeita ou algo oposto ao que se chamaria de "braços abertos"

Que fique claro: evidentemente regulamentos existem para serem cumpridos. Não se defende nesse espaço que se faça vista grossa para os “fora da lei”.

Mas por que – às vésperas da Liberty Media implementar um novo modelo de funcionamento no esporte – não discutir o caso Haas pensando em aproveitar um experimento que está dando certo? Por que não possibilitar que Haas até possa ser de fato uma filial da Ferrari, ainda que temporariamente (a MotoGP, por exemplo, dá condições especiais para equipes novatas e as subtrai à medida em que esses times vão conquistando resultados na pista)?

A Fórmula 1 pode estar jogando pela janela uma oportunidade de passar uma mensagem que soaria como um convite a outros interessados pelo mundo. Permitir, mesmo com alguns limites, um estreitamento de parcerias como a de Ferrari-Haas seria estender a mão para a entrada de equipes de corrida ao invés de incentivar apenas a chegada de grandes corporações, montadoras gigantescas, que pensam mais em seus balanços financeiros do que no crescimento do campeonato a longo prazo.

A excelente oportunidade de 2010 foi jogada fora... Se Manor, Caterham e HRT tivessem recebido um mínimo do que lhes foi prometido, muito provavelmente a Fórmula 1 teria hoje um grid com 26 carros... Que a categoria não desperdice a oportunidade de se aproveitar da esperteza e competência da Haas F1.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O que a Fórmula 1 nos ensina a (não) esperar dela

"Não há algo errado quando passamos a encarar como normal o fato de não vermos aos domingos pilotos rasgando uma reta lado a lado, decidindo uma prova na última volta ou mesmo um piloto que, sozinho, tem uma atuação tão brilhante que vale pelo GP?"




A Fórmula 1 encerrou no domingo, com o GP da Austrália, o tradicional período de 4 meses sem corridas. Na fase sem GPs, a atividade comum aos fãs da categoria é especular, ou no máximo tentar extrair algo do que foi visto nos poucos testes que tivemos. E quando entramos no período em que contam-se os dias para os carros entrarem pela 1ª vez na pista, surge aquilo que faz aumentar a ansiedade da espera: nossa imaginação começa a "trabalhar"... Passamos a mentalizar as possíveis disputas que, caso se concretizem de fato, seriam a materialização do que há de melhor nas corridas de carros.

E com isso já chegamos ao ponto principal desse texto: Qual o tamanho da diferença que existe hoje entre o ápice em uma corrida de carros e o atual ápice em corridas da Fórmula 1?

O leitor que honra o blog ao emprestar seu tempo para ler esse texto já parou para pensar o quanto limitamos - até inconscientemente - nossas expectativas e o que esperamos em termos esportivos do Campeonato Mundial de Fórmula 1? Até onde vão nossas ambições nesse início de temporada? Elas vão até onde a Fórmula 1 nos acostumou? Ainda esperamos de fato o “algo mais” que a Fórmula 1 deveria entregar mas que já não nos entrega nem nos mais otimistas dos sonhos?

Não estou me referindo a corridas com elevado número de ultrapassagens (sobre isso, esteja certo que conversaremos outras vezes ao longo de 2018), me refiro nesse texto a algo que vai além disso (obrigatório nessa “reestreia” surgir um trocadilho com o nome do blog). Me refiro às corridas que deixam marcas, daquelas que duram anos, seja por qual motivo for... Me refiro aos GPs inesquecíveis, ou às atuações épicas de qualquer que seja o piloto. Você, leitor ou leitora, ainda espera corridas inesquecíveis ou ainda sonha com corridas inesquecíveis? Há grande diferença entre esperar e sonhar. Certas ambições se tornaram apenas isso: sonho

Certamente o leitor se lembra com rapidez os seus GPs inesquecíveis... Com certeza eles existem. Mas de quantos em quantos anos estamos vendo corridas assim? Momentos inesquecíveis talvez deixem marcas exatamente por não ocorrerem com frequência... Mas não haveria algo errado quando nos acostumamos a não esperar, e passamos a encarar como normal o fato de não vermos aos domingos pilotos rasgando uma reta lado a lado, decidindo uma prova na última volta ou mesmo um piloto que, sozinho, tem uma atuação tão brilhante que vale pelo GP?





No começo do mês de Abril serão completados 25 anos de uma atuação individual que até os dias de hoje é reverenciada no mundo inteiro (e não apenas no Brasil): a histórica pilotagem de Ayrton Senna em Donington Park, em 93.

A data induziu este que vos escreve a essa reflexão: com que frequência assistimos atuações épicas de um piloto de Fórmula 1 - daquelas que não nos esqueceremos tão cedo? Quantas pilotagens memoráveis você se lembra ter visto e, ainda mais importante, dentro de quanto tempo você espera ver a próxima?

Respeita-se o fato de que nem todos que assistem corridas buscam, no fim, o mesmo objetivo: alguns apenas gostam de ver os carros, outros curtem a tecnologia, e outros assistem por serem fãs de um ou outro piloto... Mas para aqueles que buscam a Fórmula 1 pelo lado esportivo, para os interessados acima de tudo no que acontece dentro da pista e que vibram ao testemunhar grandes espetáculos, para esses faria toda a diferença se tivéssemos, uma ou outra vez por ano, corridas que não saíssem tão cedo da nossa memória.