Ataques e insinuações pelo desempenho da Haas
começaram após o Grande Prêmio da Austrália. O que me trouxe à mente, antes de
qualquer coisa, a ideia de que as acusações só vêm à tona na Fórmula 1 quando
quem supostamente burla o regulamento consegue de fato um resultado. A relação da Haas com a Ferrari existe desde 2016, ou seja, fica no ar algo como "pode-se
agir de forma ilegal desde que não se andem à frente de alguns".
Mas vamos Além, como demanda o título do blog...
Antes de mais nada, são ataques e acusações que até agora
não trouxeram nenhuma comprovação técnica - e não tenha dúvida caro leitor/leitora
que as equipes podem muito bem indicar (de forma precisa e nada genérica) o que
de fato há de ilegal sob a carenagem de um concorrente. Jamais subestime a
capacidade de conhecimento mútuo que estes times possuem e que os fãs sequer sonham em saber.
O que muitos dos integrantes da Fórmula 1 não percebem - com seus olhares limitados e que se pautam unicamente no interesse próprio e que os tornam portanto incapazes de
pensar no NEGÓCIO como um todo - é a oportunidade que o “fator
Haas” pode trazer para uma saudável mudança no futuro da categoria.
A Fórmula 1 não é um esporte caro. É um esporte
caríssimo. A estrutura e os investimentos mínimos necessários para participar
do circo inviabilizam que o grid aumente quantitativa e qualitativamente. Seria fundamental que NOVOS participantes se juntassem ao “espetáculo”. A Fórmula 1 vive há décadas
a “era da assimilação de times”, ou seja: quem quer entrar tem quase como única
alterativa comprar uma equipe do grid.
Convenhamos, é bem mais barato do que levantar um prédio inteiro para transformar
em fábrica ou contratar centenas de pessoas começando do zero, só para citar 2
exemplos.
Você sabe quantas equipes, nos últimos 20 anos, entraram
na Fórmula 1 criando estrutura própria, consequentemente levando o número de carros no grid a crescer? Foram SEIS... Seis em 20
anos! Toyota, Super Aguri, Caterham, Virgin e HRT, além claro da Haas. Dessas,
4 sucumbiram por absoluta falta de condição. E ao invés da Fórmula 1 explorar um raro “case de sucesso” como o do time americano, ela o enxerga com suspeita ou algo oposto ao que se chamaria de "braços abertos"
Que fique claro: evidentemente regulamentos existem
para serem cumpridos. Não se defende nesse espaço que se faça vista grossa para
os “fora da lei”.
Mas por que – às vésperas da Liberty Media
implementar um novo modelo de funcionamento no esporte – não discutir o caso
Haas pensando em aproveitar um experimento que está dando certo? Por que não possibilitar
que Haas até possa ser de fato uma filial da Ferrari, ainda que temporariamente
(a MotoGP, por exemplo, dá condições especiais para equipes novatas e as
subtrai à medida em que esses times vão conquistando resultados na pista)?
A Fórmula 1 pode estar jogando pela janela uma
oportunidade de passar uma mensagem que soaria como um convite a outros interessados pelo mundo. Permitir, mesmo com alguns limites, um estreitamento de parcerias como a de Ferrari-Haas
seria estender a mão para a entrada de equipes
de corrida ao invés de incentivar apenas a chegada de grandes corporações, montadoras
gigantescas, que pensam mais em seus balanços financeiros do que no crescimento
do campeonato a longo prazo.
A excelente oportunidade de 2010 foi jogada fora... Se
Manor, Caterham e HRT tivessem recebido um mínimo do que lhes foi prometido,
muito provavelmente a Fórmula 1 teria hoje um grid com 26 carros... Que a categoria não desperdice
a oportunidade de se aproveitar da esperteza e competência da Haas F1.


