domingo, 9 de fevereiro de 2020

Teste - Além da Velocidade



Teste para verificar qualidade, diagramação e formatação do blog Alem da Velocidade, produzido por Fábio Campos.

Teste 4, referente a imagem e texto

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A triste cultura de equipes que trabalham para um só piloto

Meu comentário em áudio na 2ª edição do Café Expresso!

Estamos nos acostumando com a ideia de equipes trabalharem para apenas um piloto. Mas essa filosofia tem um preço: as disputas internas vão se tornando cada vez mais coisa do passado...

Para ouvir, é só clicar aqui !

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O que anda faltando na cobertura da Fórmula 1?

É com grande satisfação que estreio hoje a seção de comentários "Café Expresso".

A partir de agora, sempre na página do Café com Velocidade, farei colunas em áudio com a mesma ideia de sempre: ampliar as discussões e reflexões sobre Fórmula 1 e automobilismo.

A primeira edição está aqui. Nela, faço uma análise sobre a falta de posicionamento e opinião na cobertura do principal campeonato de corridas do planeta.

Para ouvir e comentar!

sexta-feira, 11 de maio de 2018

O GP da Espanha por ângulos diferentes

Um lugar onde tive a imensa satisfação de poder estar entre 2011 e 2014.

Entre centenas de fotos, selecionei algumas do "arquivo pessoal" para deixar aqui.









































quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por que é importante que Azerbaijão 2018 seja lembrado como exemplo positivo ao invés de negativo

Você se lembra de um GP em que Senna e Prost trocaram de posições tantas vezes numa mesma corrida, com tentativas por dentro e por fora, como fizeram os garotos da Red Bull no último domingo?





A Force India viu toques entre seus pilotos e decretou a proibição total de disputas na pista. A Ferrari, a grande equipe da história da Fórmula 1 e aquela que deveria ser a mais enraizada ao esporte justamente por ter vivido o passado tão rico da Fórmula 1, trabalha claramente para apenas um carro, sendo avessa a batalhas internas. A Mercedes assumidamente contratou um piloto que "convive bem com o outro lado da garagem" – nas palavras ditas pelo próprio Toto Wolf.

Essa é a razão da reflexão expressa neste e no texto anterior.

O que preocupa e, confesso, me causa grande incômodo é ver a turma do “está vendo só” acreditar cada vez mais ter razão. Os que dizem “está vendo só como tem que proibir”, ou que clamam “está vendo só porque essa ou aquela equipe não permite brigas?”. Tenho forte impressão que essa turma ganha mais adeptos quando acidentes como o da Red Bull no Azerbaijão ocorrem. Há pouco tempo lancei no twitter um post condenando a postura pobre da Force India com Perez e Ocon, e me surpreendeu o número de fãs que defendia a proibição, como se o resultado da equipe viesse antes mesmo do divertimento deles próprios, os fãs.

Hoje em dia, muita gente que vai para uma arquibancada ou que assiste pela TV prefere ou aceita que lhe sejam negadas disputas que podem entrar para a história, ou deixar boas "marcas", como potencialmente faziam Ricciardo e Verstappen antes do contato. Nessas horas me pergunto onde está a imprensa, onde guardaram os fundamentos do jornalismo de sempre questionar decisões que beneficiam poucos em detrimento dos muitos que são a razão de existir de qualquer esporte ou produto televisivo.

Um parênteses: não assisti às transmissões nacionais da corrida pela TV – como faço já há 6 anos – mas durante o podcast Café com Velocidade foi citado que comentarias daqui “previram” a batida, algo na mesma linha do que escrevi no post anterior sobre o comentário feito na TV inglesa. Como alguém formado em jornalismo, me espanta e causa lamento ver outros profissionais da área defendendo intervenções “prévias” de equipes em disputas internas, ou achando absurdo e não reconhecendo o valor para o automobilismo que existe em dois carros “da mesma cor” dividindo uma freada.

A Fórmula 1 é muito mais Fórmula 1 quando se depara com uma disputa entre competidores que ocupam a mesma garagem. Isso não deveria ser um “corpo estranho”, muito pelo contrário. A tensão inerente à esse tipo de situação deixa as pessoas que assistem ainda mais ligadas, ainda mais envolvidas e ampliam ainda mais a repercussão no intervalo entre um GP e outro. Quem não está esperando ou já imaginando como vai será na próxima corrida se as duas Red Bull estiverem próximas uma da outra na pista?



Pensemos o seguinte, caro leitor ou leitora: qual grande rivalidade vem à mente quando se fala em Fórmula 1 e seu passado? Para a grande maioria, os nomes que surgem na cabeça são Senna e Prost (em grande parte graças ao fato do brasileiro e do francês terem brigado e duelado enquanto trabalhavam sob o mesmo teto).


Pois eu não me recordo com facilidade de um GP em que Senna e Prost tenham se emparelhado, roda a roda, tantas vezes e por tantas voltas como Ricciardo e Verstappen. É claro que ambos travaram grandes duelos, e certamente boas manobras existiram de fato - como em Ímola em 89... Mas o ponto é que é mais fácil lembrar-se de Senna e Prost se chocando em Suzuka do que trocando de posições 5 ou 6 vezes na mesma prova, com um deles tentando ora por dentro ora por fora, como os garotos da Red Bull fizeram no último domingo.

Mas infelizmente Ricciardo e Verstappen, depois de mostrar tanta qualidade e técnica, escorregaram e protagonizaram uma batida. Uma batida que tem, nos dias atuais, um potencial destrutivo muito grande, porque não fez apenas com que uma grande equipe tenha perdido pontos no Campeonato Mundial, mas pode ter feito com que muitos cheguem à conclusão que liberar pilotos para brigar entre si é algo maléfico, ou algo tão perigoso que merece ser podado desde a raiz. Outras equipes podem, vendo o que aconteceu, endurecer suas regras como fizeram as citadas no 1º parágrafo. Espero não estar certo, mas enxergo enorme risco de se associar qualquer disputa interna a um "acidente em potencial".

Como se um toque não pudesse ser discutido, trabalhado e não se pudesse EVOLUIR com base nele. Jamais deve-se relevar este tipo de batida, mas sim usar o que aconteceu e tentar trabalhar em cima disso, seja conversando com os pilotos, seja punindo financeiramente, seja até mesmo suspendendo alguém (mesmo sendo surreal de se imaginar que isso aconteça de fato). Há muitas opções em alternativa à pura e simples proibição.

Importante que a imprensa e os fãs entendam que possuem um papel a cumprir em momentos como esse: o papel de não aceitar que a Fórmula 1 - e por consequência o automobilismo - fiquem mais pobres depois de GPs tão ricos. 


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Até quando o automobilismo resistirá a toques entre companheiros de equipe?


"O automobilismo corre enorme risco se passarmos - se é que já não passamos - a enxergar qualquer disputa entre companheiros de equipe como um acidente em potencial, e se começarmos a nos preocupar ao invés de nos divertir com exibições como a que Ricciardo e Verstappen fizeram antes do toque"





A batida foi na volta 40. Até ali, Ricciardo e Verstappen dividiram curvas repetidas vezes. Foram praticamente 80% da prova percorridos com um desafiando incansavelmente o outro. Durante o duelo, as câmeras de televisão mostravam, também repetidamente, os “senhores” dos boxes. Bastava uma freada com o holandês e o australiano lado a lado, uma fritada de pneu, que logo tínhamos as imagens de Christian Horner, Helmut Marko ou Adrian Newey. O foco nos carros não bastava. É preciso sempre mostrar o “chefe”, como a encará-lo buscando um possível indício de reprovação. A briga na pista ocorre com a benção destes senhores, é o que parecem querer dizer os cortes de imagem para os boxes sempre que dois companheiros batalham no asfalto.

Essa mentalidade existir de fora para dentro já é algo que, de forma preocupante, vale uma reflexão. Mas é muito pior quando a resistência à briga entre empregados de um mesmo time está enraizada em uma categoria. Há forças muito grandes dentro da Fórmula 1 que julgam como algo desnecessário, ameaçador até, o chamado duelo interno. Assistimos ao longo dos últimos anos vários exemplos desse modo de pensar, em várias equipes diferentes. Quando acontece o que aconteceu com Verstappen e Ricciardo no Azerbaijão, a F1 passa a correr um risco enorme.

O que deveria ser um acidente sem grandes consequências (a não ser para o próprio time, é claro) para o futuro do maior campeonato de corridas do mundo pode ter sido mais passo rumo ao dia em que pensar em companheiros brigando lado a lado será coisa do passado... Basta recordar algumas decisões recentes na categoria para saber que Baku tem chances de se tornar um exemplo do que NÃO FAZER, ao invés de ser lembrado por algo que encantou a todos por cerca de 39 voltas...

Hoje, das pessoas que estão envolvidas com a Fórmula 1, talvez a grande maioria não foi criada no automobilismo. Não são “gente de corrida”. Muitas das cabeças pensantes que tomam decisões em cima de situações como a da Red Bull no Azerbaijão são oriundas do ramo empresarial, onde resultados estão acima de tudo e para as quais os fins (ou objetivos) justificam os meios – mesmo que “os meios” passem por rasgar e romper com as características mais fundamentais do esporte.

Não digo que seja o caso propriamente da Red Bull – Christian Horner e Helmut Marko são crias de autódromos – e talvez por isso a notícia mais recente indica que não irão cair na tentação de proibir seus pilotos de brigar - algo tão nocivo para o esporte. Mas o problema é: o que aconteceu no circuito do Baku pode ter ramificações em outras equipes, ou até mesmo em outras categorias. Um acidente entre companheiros deixou de ser algo condenável e passou ser algo inadmissível, como se toques em uma corrida de carros fossem o fim de todos os mundos.

O pensamento expresso neste texto baseia-se puramente no que vemos nos tempos atuais. Um exemplo? Durante a fantástica briga que Ricciardo e Verstappen travavam antes do toque, o ex-piloto Paul di Resta comentava, na TV inglesa, que a Red Bull já poderia, ou deveria, exercer algum controle sobre a briga com o pretexto de “otimizar o resultado” – como se o resultado estivesse acima de tudo e justificasse qualquer intervenção que torne estéril o decorrer da prova para quem a assiste.


Ricciardo e Verstappen erraram de fato. Jogaram fora pontos preciosos. Mas também deram um show, mostraram que disputas de freadas podem ser realizadas com técnica e precisão. De fato, se exige de um piloto de Fórmula 1 que evite o erro do começo ao fim, e logicamente o toque vai gerar mais "barulho" do que qualquer outra coisa, mas não se pode apagar o divertimento proporcionado ao público na maior parte da prova pelos pilotos da equipe.



Proibir uma disputa na pista é o caminho mais fácil. Essa decisão que pulveriza o elemento mais indispensável para as corridas de carros é a mais cômoda, além de arbitrária e muitas vezes prejudicial para a própria equipe. Nesses momentos de pressão vinda de várias direções é que líderes de equipe como Horner e Marko têm uma oportunidade. É preciso agir contra o toque? Sim. Devem ser duros a portas fechadas? Também. Mas sem jogar na lixeira aquilo que atrai fãs, público, TV e atenção tão fundamentais para o esporte seguir como objeto de fascinação e atração para um público que o campeonato busca conquistar.

Donos de equipe têm obrigações e deveres com seus empregados e empregadores de defender suas escuderias até onde for possível. Mas, muitos deles não percebem, possuem também uma responsabilidade de não eliminar com uma "canetada" algo que, apenas por existir, gera frutos e é bom para o bolso deles próprios: as disputas na pista.

As pessoas dentro da Fórmula 1 não possuem o hábito de olhar o negócio como um todo. Muitos, como por exemplo os competentes mas opacos comandantes da Force India, pensam apenas no resultado próprio e imediato. Não lhes passa pela cabeça que um Grande Prêmio do Azerbaijão sem a batida mas com a disputa na pista que ocorreu por quase 40 voltas já teria gerado uma corrida tão boa que traria uma repercussão extremamente positiva para a Fórmula 1.

A Fórmula 1 vive um bom momento. Está em alta. As pessoas estão ansiosas para ver o que vai acontecer no próximo GP. Uma batida não pode colocar isso a perder, embora a história recente aponte para esse risco. A Red Bull tem competência e um passado que a credenciam a não dar um tiro no próprio pé. Colocar os pilotos numa sala e fazê-los entender que podem fazer mais para evitar uma batida, sem autoritarismo e proibições, será benéfico não apenas para a equipe como para a própria Fórmula 1, e é aí que reside a "responsabilidade" citada acima. Quem gosta de ultrapassagens agradece.



* Para que o texto não se estenda, amanhã posto a "Parte 2"....

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Daniel Ricciardo pode não ser um gênio, mas sem dúvida é genial

"Daniel Ricciardo é o Gilles Villeneuve dos tempos atuais – um piloto que não precisa ser campeão do mundo para ter seu nome lembrado daqui a décadas"





Eu tenho o costume de dizer que corridas valem mais do que campeonatos, o que ao bater o olho pode parecer uma afirmação sem sentido. É claro que um campeonato constitui um desafio e possui uma dimensão que não se compara ao valor de um GP sozinho. Mas corridas algumas vezes são subjugadas em nome de campeonatos... A soma de pontos que torna um piloto campeão é algo, digamos, abstrato. Trata-se de uma virtual soma de números que se reflete num pedaço de papel ou tela de um computador. Já as corridas são – ou deveriam ser – algo muito mais real, algo concreto que se materializa diante dos nossos olhos e que tem a capacidade de nos atingir como o domingo de Fórmula 1 em Xangai nos atingiu.

Não seria leviano constatar que o que se passou dentro da pista no GP da China supera, por si só, campeonatos inteiros que vimos no passado. Se me perguntarem, eu não trocaria a corrida de Xangai por todo o campeonato de 2002, ou o de 2004 talvez...

Assistimos a vários lances dignos de levantar-se da cadeira na corrida chinesa, mas nada chega ao nível do que fez Daniel Ricciardo. O australiano na quinta-feira já declarava que teria partido para o ataque no Bahrein caso estivesse ele em 2º e entrasse na última volta com o carro tão próximo da Ferrari de Vettel (quem acompanhou entrevistas via imprensa internacional percebeu que ele tocou no assunto até em momentos em que não foi perguntado). E então poucos dias depois de “cutucar” Bottas, Daniel prova com ações que não há como duvidar dele quando o assunto é ultrapassagem.

Este garoto já está na Fórmula 1 desde 2011. Este garoto – que no Café com Velocidade já batizei de “ultrapassador” – nos brinda com manobras como essas desde 2014, quando ascendeu à Red Bull. Daniel Ricciardo é o Gilles Villeneuve dos tempos atuais – um piloto que não precisa ser campeão do mundo para poder ser lembrado daqui a décadas, a não ser por aqueles que se apegam mais a números do que a atuações dentro da pista, o que definitivamente não é o meu caso.

Existem ultrapassagens e ultrapassagens, e as que esse australiano executa são de uma técnica tão peculiar, e ainda melhor, são de uma OUSADIA tão visível que até um leigo ou aquele que assiste a um GP pela primeira vez é capaz de notar a diferença. Mais do que um piloto com talento (como vários outros do grid) o que diferencia Ricciardo é seu ÍMPETO, é o fato de transformar em realidade aquilo que passa na cabeça de 98,4% dos pilotos quando estão colados no carro da frente.

Ricciardo faz bem ao automobilismo não porque guia bem, porque sorri toda hora ou porque é sincero em entrevistas. Ricciardo faz bem ao automobilismo porque mostra como ultrapassagens dão vida a uma corrida, e como arrojo e técnica podem e devem ser colocados em prática. O ataque final a Bottas na curva 6 de Xangai deveria ser exibido em cursos de pilotagem.





Daniel estará sem contrato ao final do ano. Não tenho informações do seu futuro, mas me parece impensável que Ferrari ou Mercedes não estejam alinhando ou já efetivando propostas para “seduzir” o australiano. Quanto vale Ricciardo em comparação com alguns (bons) finlandeses que estão grid atual da Fórmula 1? Daqui desse cantinho, torço para que renove com a Red Bull, pelo simples fato dos austríacos não engessarem disputas internas entre companheiros, algo que seus rivais fizeram em tempos recentes. A Red Bull já lidou, mais de uma vez, com toques e acidentes entre seus pilotos, e nem por isso optou pelo “empresarialmente correto” caminho da proibição.

Não vi pilotar o "Villeneuve pai", o que constitui talvez a grande frustração da minha “vida automobilística” – juntamente com Jim Clark, dois nomes que eu trocaria muita coisa para poder ter a chance de assisti-los com meus próprios olhos. O que vi de Gilles foram algumas de suas manobras magistrais. Sei que não foi campeão do mundo, mas sei que guiava com técnica incrível, com ousadia e com arrojo. O que sei é que não precisou de resultados para entrar no grupo dos grandes da Fórmula 1.

Assim como Daniel Ricciardo...

terça-feira, 10 de abril de 2018

Reflexões que o GP do Bahrein levanta

Em caráter experimental, vamos ver se uma seção focada especificamente em reflexões baseadas nos acontecimentos de um GP agrada aos leitores deste espaço...

Se “pegar”, pode se tornar uma seção fixa por aqui...



Pneus - Ocorreu em apenas uma corrida, e ainda assim disputada sem nenhum sol. De fato é cedo para alcançar conclusões, mas pela 1ª vez na “Era Pirelli” pode-se ter chegado ao ponto em que não existe um tipo de pneu nitidamente melhor que outro para vencer uma prova. Ou seja: pode ser que esteja aberta a possibilidade de haver, enfim, opções de estratégias com reais chances de fazer uma equipe conseguir bons resultados. É melhor do que o tipo de pneu que apimenta corridas porque "se derrete"... Ter pneus com variação equilibrada entre resistência e desempenho pode criar alternativas verdadeiras de caminhos a serem escolhidos pelos times, o que é diferente de existir uma opção única e ganhar aquele que trabalhá-la melhor.

*** A “abertura” de estratégias pode ser uma vantagem dos novos pneus, mas que as corridas não se tornem jogos de xadrez. Para quem gosta de ação, é melhor que Mercedes e Ferrari disputem freadas ao invés de pit stops.


Mercedes – “Nosso carro não gosta do calor”, foi a frase dita claramente por Toto Wolff no Bahrein. Ser for mesmo o caso, é um problema, pois quase toda a parte europeia do calendário será sob elevadas temperaturas. Poucos se lembram de um detalhe: a Mercedes não testa com os pneus mais macios na pré-temporada... Sempre anda APENAS com os compostos mais duros. Pode estar pagando por isso nesse começo de ano. Mas vale lembrar que também não tinham alcançado a "sintonia fina" no início de 2017 e, quando ajustaram a máquina, ninguém mais os alcançou.


Verstappen – Tentou ultrapassar, CONSEGUIU, e "abriu" a curva do mesmo modo como 96% dos pilotos fazem. Pessoalmente, sou contra essas chamadas “espalhadas” – acho que deveria ser obrigatório não alargar a curva para que o ultrapassado sempre tenha espaço/chance de defesa. Mas o que fez é algo absolutamente comum e corriqueiro em corridas. Li gente chamando a tentativa de ultrapassagem de “arrogante” (incrível como a ultrapassagem para alguns é algo que, em certas ocasiões, até incomoda)... Toques entre carros acontecem, é sempre importante não se esquecer...



Bottas – Meu critério de análise sempre faz com que eu evite me colocar na posição de presumir se era possível um piloto atacar outro ou não. Mas já vimos algumas vezes - mesmo em 2017, portanto com este modelo de carro – pilotos arriscarem freadas onde a possibilidade de erro era grande, mas em situações em que a ousadia valia o risco e muitas vezes tendo êxito. Bottas estava muito perto de Vettel na freada da curva 1 na volta final. Difícil – dificílimo – imaginar Ricciardo ou Verstappen na mesma situação sem ao menos tentar uma manobra vencedora diante de carros tão próximos... Valtteri é indiscutivelmente um bom piloto. Mas não é e creio que nunca será um dos grandes. Seu emprego segue em risco para o ano que vem.


McLaren – Muito, muito abaixo de sequer liderar o “pelotão do meio”... Não é fácil a situação da equipe. Não há nenhuma garantia de que tão cedo vá retornar à posição de concorrente a vitórias. Em relação ao pelotão do meio, o único ponto de possível otimismo é que possui capacidade ($) de desenvolvimento largamente superior à de Toro Rosso, Haas ou Force India. Mas hoje tem menos carro que a Renault, isso já parece claro.


Vandoorne – Aos poucos e quase que silenciosamente, a “percepção” positiva em torno dele vai se apagando. Não tem outra alternativa: precisa no mínimo disputar com Alonso na pista. Não quer dizer que tenha necessariamente que superar o companheiro, mas seguir distante dele em termos de ritmo e resultados pode ser fatal numa equipe que vem abastecendo suas fileiras de candidatos a uma vaga.


Carlos Sainz – Não faz um bom começo de ano, e sua situação conta com um agravante: a boa performance de Gasly pode ser ruim para seu futuro, ao mudar a ordem na fila para um possível substituto de Ricciardo no time principal da Red Bull. Embora essa possibilidade ainda seja apenas um rascunho, a comparação com Hulkenberg tem sido fortemente desfavorável ao espanhol por enquanto.


Williams – Está pagando à vista por ter priorizado o caixa ao invés da pista. Claire Williams é muito incompetente para ocupar o cargo que ocupa. O carro é ruim, a equipe é mal gerida e não possui pilotos para “forçar” um ou outro brilho como, por exemplo, Alonso fez com a McLaren nos anos recentes.



Faltou algum ponto que não poderia deixar de ser analisado? Concordou ou discordou fortemente de algum dos tópicos acima? Lembre-se que todos os comentários são respondidos antes do próximo texto ser publicado!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O mal que a Haas não faz

"Permitir parcerias como a de Ferrari-Haas seria estender a mão para a entrada de equipes de corrida ao invés de incentivar apenas a chegada de grandes corporações, montadoras gigantescas, que pensam mais em seus balanços financeiros do que no crescimento do campeonato a longo prazo"




Ataques e insinuações pelo desempenho da Haas começaram após o Grande Prêmio da Austrália. O que me trouxe à mente, antes de qualquer coisa, a ideia de que as acusações só vêm à tona na Fórmula 1 quando quem supostamente burla o regulamento consegue de fato um resultado. A relação da Haas com a Ferrari existe desde 2016, ou seja, fica no ar algo como "pode-se agir de forma ilegal desde que não se andem à frente de alguns".

Mas vamos Além, como demanda o título do blog...

Antes de mais nada, são ataques e acusações que até agora não trouxeram nenhuma comprovação técnica - e não tenha dúvida caro leitor/leitora que as equipes podem muito bem indicar (de forma precisa e nada genérica) o que de fato há de ilegal sob a carenagem de um concorrente. Jamais subestime a capacidade de conhecimento mútuo que estes times possuem e que os fãs sequer sonham em saber.

O que muitos dos integrantes da Fórmula 1 não percebem - com seus olhares limitados e que se pautam unicamente no interesse próprio e que os tornam portanto incapazes de pensar no NEGÓCIO como um todo - é a oportunidade que o “fator Haas” pode trazer para uma saudável mudança no futuro da categoria.

A Fórmula 1 não é um esporte caro. É um esporte caríssimo. A estrutura e os investimentos mínimos necessários para participar do circo inviabilizam que o grid aumente quantitativa e qualitativamente. Seria fundamental que NOVOS participantes se juntassem ao “espetáculo”. A Fórmula 1 vive há décadas a “era da assimilação de times”, ou seja: quem quer entrar tem quase como única alterativa comprar uma equipe do grid. Convenhamos, é bem mais barato do que levantar um prédio inteiro para transformar em fábrica ou contratar centenas de pessoas começando do zero, só para citar 2 exemplos.




Você sabe quantas equipes, nos últimos 20 anos, entraram na Fórmula 1 criando estrutura própria, consequentemente levando o número de carros no grid a crescer? Foram SEIS... Seis em 20 anos! Toyota, Super Aguri, Caterham, Virgin e HRT, além claro da Haas. Dessas, 4 sucumbiram por absoluta falta de condição. E ao invés da Fórmula 1 explorar um raro “case de sucesso” como o do time americano, ela o enxerga com suspeita ou algo oposto ao que se chamaria de "braços abertos"

Que fique claro: evidentemente regulamentos existem para serem cumpridos. Não se defende nesse espaço que se faça vista grossa para os “fora da lei”.

Mas por que – às vésperas da Liberty Media implementar um novo modelo de funcionamento no esporte – não discutir o caso Haas pensando em aproveitar um experimento que está dando certo? Por que não possibilitar que Haas até possa ser de fato uma filial da Ferrari, ainda que temporariamente (a MotoGP, por exemplo, dá condições especiais para equipes novatas e as subtrai à medida em que esses times vão conquistando resultados na pista)?

A Fórmula 1 pode estar jogando pela janela uma oportunidade de passar uma mensagem que soaria como um convite a outros interessados pelo mundo. Permitir, mesmo com alguns limites, um estreitamento de parcerias como a de Ferrari-Haas seria estender a mão para a entrada de equipes de corrida ao invés de incentivar apenas a chegada de grandes corporações, montadoras gigantescas, que pensam mais em seus balanços financeiros do que no crescimento do campeonato a longo prazo.

A excelente oportunidade de 2010 foi jogada fora... Se Manor, Caterham e HRT tivessem recebido um mínimo do que lhes foi prometido, muito provavelmente a Fórmula 1 teria hoje um grid com 26 carros... Que a categoria não desperdice a oportunidade de se aproveitar da esperteza e competência da Haas F1.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O que a Fórmula 1 nos ensina a (não) esperar dela

"Não há algo errado quando passamos a encarar como normal o fato de não vermos aos domingos pilotos rasgando uma reta lado a lado, decidindo uma prova na última volta ou mesmo um piloto que, sozinho, tem uma atuação tão brilhante que vale pelo GP?"




A Fórmula 1 encerrou no domingo, com o GP da Austrália, o tradicional período de 4 meses sem corridas. Na fase sem GPs, a atividade comum aos fãs da categoria é especular, ou no máximo tentar extrair algo do que foi visto nos poucos testes que tivemos. E quando entramos no período em que contam-se os dias para os carros entrarem pela 1ª vez na pista, surge aquilo que faz aumentar a ansiedade da espera: nossa imaginação começa a "trabalhar"... Passamos a mentalizar as possíveis disputas que, caso se concretizem de fato, seriam a materialização do que há de melhor nas corridas de carros.

E com isso já chegamos ao ponto principal desse texto: Qual o tamanho da diferença que existe hoje entre o ápice em uma corrida de carros e o atual ápice em corridas da Fórmula 1?

O leitor que honra o blog ao emprestar seu tempo para ler esse texto já parou para pensar o quanto limitamos - até inconscientemente - nossas expectativas e o que esperamos em termos esportivos do Campeonato Mundial de Fórmula 1? Até onde vão nossas ambições nesse início de temporada? Elas vão até onde a Fórmula 1 nos acostumou? Ainda esperamos de fato o “algo mais” que a Fórmula 1 deveria entregar mas que já não nos entrega nem nos mais otimistas dos sonhos?

Não estou me referindo a corridas com elevado número de ultrapassagens (sobre isso, esteja certo que conversaremos outras vezes ao longo de 2018), me refiro nesse texto a algo que vai além disso (obrigatório nessa “reestreia” surgir um trocadilho com o nome do blog). Me refiro às corridas que deixam marcas, daquelas que duram anos, seja por qual motivo for... Me refiro aos GPs inesquecíveis, ou às atuações épicas de qualquer que seja o piloto. Você, leitor ou leitora, ainda espera corridas inesquecíveis ou ainda sonha com corridas inesquecíveis? Há grande diferença entre esperar e sonhar. Certas ambições se tornaram apenas isso: sonho

Certamente o leitor se lembra com rapidez os seus GPs inesquecíveis... Com certeza eles existem. Mas de quantos em quantos anos estamos vendo corridas assim? Momentos inesquecíveis talvez deixem marcas exatamente por não ocorrerem com frequência... Mas não haveria algo errado quando nos acostumamos a não esperar, e passamos a encarar como normal o fato de não vermos aos domingos pilotos rasgando uma reta lado a lado, decidindo uma prova na última volta ou mesmo um piloto que, sozinho, tem uma atuação tão brilhante que vale pelo GP?





No começo do mês de Abril serão completados 25 anos de uma atuação individual que até os dias de hoje é reverenciada no mundo inteiro (e não apenas no Brasil): a histórica pilotagem de Ayrton Senna em Donington Park, em 93.

A data induziu este que vos escreve a essa reflexão: com que frequência assistimos atuações épicas de um piloto de Fórmula 1 - daquelas que não nos esqueceremos tão cedo? Quantas pilotagens memoráveis você se lembra ter visto e, ainda mais importante, dentro de quanto tempo você espera ver a próxima?

Respeita-se o fato de que nem todos que assistem corridas buscam, no fim, o mesmo objetivo: alguns apenas gostam de ver os carros, outros curtem a tecnologia, e outros assistem por serem fãs de um ou outro piloto... Mas para aqueles que buscam a Fórmula 1 pelo lado esportivo, para os interessados acima de tudo no que acontece dentro da pista e que vibram ao testemunhar grandes espetáculos, para esses faria toda a diferença se tivéssemos, uma ou outra vez por ano, corridas que não saíssem tão cedo da nossa memória.

Nova temporada... Mesmo roteiro!

A primeira experiência aqui foi um desafio, mas que agradou. Foi rápida, é verdade... Teve caráter experimental e durou meros dois meses entre a abertura e a pausa por falta de agenda. Mas o resultado naqueles dois meses foi muito positivo.

Antes de voltar, a ideia foi experimentar o Twitter. Terra de ninguém, avisaram. O resultado? Mais positivo ainda. E graças a "sorte" de ter interagido por lá com muitos fãs de corridas e ter conhecido vários perfis que curtem um "certo tipo de análise", a decisão de tentar ampliar as discussões e trazê-las pra cá foi quase automática.

Não há ilusão: automobilismo no Brasil é cada vez menos automobilismo. Mas...

Interagir com gente que tem interesse em discutir sobre corridas, em fugir dos comentários triviais e que, mesmo quando discorda sabe se posicionar sobre temas importantes da Fórmula 1 (ou qualquer que seja o campeonato) é que é o grande barato.

Em uma época na qual o diálogo entre visões diferentes é quase nulo, em que a superficialidade e o fútil dominam as redes de comunicação e num momento em que o jornalismo esportivo transforma-se mais e mais em bate-papo de comediantes-torcedores, o desafio aqui é fugir do lugar comum.

Analisar corridas tendo como base os fundamentos essenciais do jornalismo, e opinar sobre elas sem qualquer viés de torcida. Tentar enxergar e levantar pontos que façam você, leitor ou leitora, refletir sobre impactos, caminhos e observações relevantes do automobilismo do século XXI.

E então, vamos Além?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

I wonder what it's all about


Foram duas semanas, duas pistas...

E a frase acima, de uma música do Coldplay, resume o pensamento / questionamento que ainda não sai da cabeça...

























e, por fim...



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Spa e Monza, aí vamos nós!

Dias como este 4 de Agosto já aconteceram outras vezes, confesso. Posso afirmar que, felizmente, o que vem pela frente não será algo inédito.

Em dias como o de hoje eu me forço a lembrar de quando eu era “menino pequeno” e ficava vendo as imagens aéreas dos circuitos de Fórmula 1 na TV, sempre tentando reparar nos “cantos” da imagem, no chamado entorno dos autódromos, sempre tentando identificar portões de acesso, sempre imaginando o que eu teria que fazer para encontrar supostas entradas se um dia eu estivesse naqueles cenários de sonho. Sempre enxerguei a Europa e seus traçados como algo inalcançável, algo difícil de pôr os pés um dia. É o que pensa cada pessoa, digamos, "normal" quando se liga a TV num domingo de corrida da maior categoria de todas.

Ver uma corrida de Fórmula 1 ao vivo, fosse em São Paulo ou no Rio de Janeiro, sempre me pareceu um feito difícil, mas plenamente possível. Tão possível que acabou por se tornar algo que desde 1998 já faz parte da minha vida.

Mas assistir a uma corrida de Fórmula 1 na Europa sempre foi um sonho daqueles que você tem, mas que sabe que beira o impossível.

Só que as voltas acontecem e às vezes o impossível se torna possível.

Hoje tive a certeza de que o sonho vai se tornar novamente real, embora não tenha deixado nunca de ser um sonho. A melhor coisa que pode acontecer ao conseguir se realizar um sonho é ter a certeza de que ele continua sendo um sonho.

A partir de 24 de Agosto, uma viagem para pisar em terrenos que sempre pareceram cenários de ficção. Até hoje ainda parecem...

Spa-Francorchamps, Bélgica... Monza, Itália.

Dias como o de hoje são o ponto de partida para semanas que podem ser chamadas de tudo, menos de “corriqueiras”. A partir de agora, dorme-se pensando nisso, acorda-se pensando nisso e passam-se os dias a pensar sobre isso, imaginando-se os detalhes a acertar, pensando em cuidar de tudo para que, quando estiver sozinho “lá longe” nada de imprevisível aconteça. Por essa tensão, por essa expectativa, por essa adrenalina – adrenalina que vicia (não tenha dúvida disso, leitor), por tudo isso, dias como o de hoje garantem que os que virão sejam diferentes, mas diferentes de um modo tão positivo que você, depois que tudo passar, sentirá falta até mesmo da sensação que reforça aquela frase que diz que “o melhor da festa é esperar por ela”.

Ok, não será a primeira vez...  Mas mesmo que não seja, ainda acho que a sorte que tenho (não só ter a oportunidade de ir até lá, mas também poder voltar lá) se materializa quando não deixo que o sentimento e a emoção que envolvem essas jornadas se tornem algo comum. A sensação, por incrível que possa parecer, ainda é de novidade. Uma novidade que não é nova, mas que parece com a da primeira vez.

Certa vez vi na TV um jornalista que há décadas faz cobertura de GPs dizer que ainda sente adrenalina quando vai para a pista, ou quando escuta o primeiro motor roncar alto (quando o citado jornalista fez essa afirmação, os motores ainda roncavam alto).

Lembro que duvidei do que dizia o profissional... “Como pode jornalista tão experiente sentir o mesmo frio na barriga – palavras do mesmo – que sentem os iniciantes que pisam num autódromo pela primeira vez?”, pensei.

Eu estava errado.

Ir para uma pista ver uma corrida de Fórmula 1 nunca será algo corriqueiro. Pelo menos não para alguns....

Ir para uma pista de Fórmula 1, depois de passar toda uma infância sonhando, e se achando tão distante daquilo, é algo que vale cada centavo, cada sacrifício. Não é como no comercial de cartões que diz “não tem preço”.

Sim, tem um preço. Mas como tudo que se compra, deve-se refletir sobre o que se ganha ser mais valioso do que aquilo que é cobrado.

E quando você viaja para ver uma corrida lá fora, quando você pisa dentro daquele universo tão distante ou quando o primeiro carro cruza o asfalto a sua frente, você ganha algo que ficará com você para sempre. Ninguém poderá lhe roubar, ninguém poderá lhe tirar.

O que se ganha ao pisar em Spa ou em Monza são coisas que não vou nem tentar a aventura de converter em palavras. A única coisa que posso afirmar com a convicção de não errar é: ganhe o que for, sinta-se o que for, será algo que um fã de corridas guardará com ele para o resto da vida.

Perguntam-me sempre: Vale o sacrifício?

De fato, uma imagem vale mais que mil palavras...




terça-feira, 2 de agosto de 2016

Hamilton X Rosberg: o talento de um acaba onde começa o talento de outro

"Rosberg é perfeitamente capaz de derrotar Hamilton em uma prova. Mas vencer um campeonato mundial envolve outras qualidades"



O mundo soube no fim de semana do GP da Hungria, uma semana antes da vitória de Lewis Hamilton em Hockeimheim que o piloto inglês e Nico Rosberg terão a oportunidade de duelar pela Mercedes até o fim de 2018. A notícia pode ser considerada boa, porque já se criou em torno dessa rivalidade uma expectativa que aumenta o interesse de todos pelas corridas, pelos bastidores da equipe e, principalmente, pelas disputas travadas pelos 2 dentro da pista.

Mas até que ponto vai o equilíbrio na briga entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg? Sim, estamos vendo um campeonato disputado no estilo “cabeça a cabeça”... Mas o quanto 2016 reflete a realidade? Quais as chances de 2017 e 2018 repetirem uma briga pelo título tão equilibrada?

Vamos tentar avaliar juntos a resposta para essa pergunta, sendo que o leitor mais atento poderá lembrar que, se em 2016 a disputa pelo título deve ir até o final do campeonato, em 2014 também foi assim. Já a temporada 2015 foi vencida por Hamilton com ampla antecedência.

Insiro nesta discussão um detalhe para o leitor refletir: durante todo o ano de 2014 e em boa parte de 2015, apenas Hamilton tinha executado ultrapassagens em cima de Rosberg. Este é o ponto que creio ser o mais interessante na análise do belo duelo que existe na Mercedes: o confronto direto, ou a disputa direta dentro da pista.

Nico Rosberg é um piloto com muitos méritos. Sem dúvida é um caso de competidor que soube evoluir, que elevou seu nível de pilotagem ao enfrentar companheiros de grande calibre. E esse talvez seja o maior mérito de Rosberg na briga contra Hamilton: conseguir fazer frente ao seu rival, conseguir bater de frente com um piloto claramente mais talentoso. Barrichello, Massa, Fisichella e Irvine foram alguns que sucumbiram e pouquíssimas vezes incomodaram seus rivais diretos.

Rosberg não. Rosberg de fato incomoda Hamilton. Já mostrou que sabe aproveitar chances e tirar proveito do super carro que pilota (o que Mark Webber, por exemplo, não conseguiu na maioria das oportunidades que teve). Nico é mais valioso do que todos estes citados acima. É um piloto que dentro da pista - como na Áustria, por exemplo - já mostrou postura, mostrou personalidade (infelizmente o universo das assessorias de imprensa que perpetuam a cultura da boa imagem o impedem de fazer o mesmo fora dela).

Mas sua batalha não é fácil... Por maiores que sejam seus méritos, o alemão definitivamente não está enfrentando um adversário qualquer. Ele luta contra um piloto magnífico, um tricampeão do mundo capaz de encarar qualquer adversário, e que desde as categorias de base já deu incontáveis demonstrações de técnica e arrojo, sem falar na velocidade que até para possíveis detratores é difícil contestar.

Voltamos, portanto, à questão do confronto direto, ou seja, às corridas em que os dois se enfrentam sem problemas mecânicos ou eventuais intempéries.

Quantas vezes já vimos Rosberg dominar os treinos do fim de semana e na volta final do Q3, aquela que decide a classificação no sábado, Lewis Hamilton conquistar a pole em uma única tentativa (coisa que, justiça seja feita, Rosberg fez na Alemanha)? Quantas ultrapassagens Rosberg já executou sobre Hamilton e vice-versa nestes 3 anos de Mercedes?

Lewis Hamilton tem a seu favor algo que, ao menos por enquanto, ainda é fundamental e faz a diferença na Fórmula 1: o talento nato. Para derrotar Rosberg, o esforço que Lewis que precisa fazer – não há dúvidas que ele de fato tem que se esforçar – é menor do que aquele que Rosberg precisa fazer para derrotá-lo.

O piloto do carro número 6 andou muito no começo do ano. Atuações irretocáveis, eu diria (em relação às corridas finais de 2015, posso estar errado mas não enxergo as disputas pós-decisão do título como sendo iguais às provas em que a taça ainda estava em aberto). Mas os problemas de Lewis Hamilton no início de 2016 foram claramente o que chamo de "fatores externos" – muitos deles, mecânicos. E mesmo com as 4 vitórias iniciais de Rosberg, o líder do mundial já é Lewis Hamilton.



Atentemos para dois dados que fui buscar e que ajudam a ilustrar a linha de pensamento deste post: nas corridas em que largaram juntos na 1ª fila (excluindo portanto os GPs com punições de grid ou problemas que algum deles tenha enfrentado no sábado e reforçando portanto a questão do confronto direto) Lewis Hamilton venceu Rosberg em 20 ocasiões, contra 12 vitórias do alemão.

Outro dado que creio ser interessante: contando também apenas corridas em que ambos “fecharam” a 1ª fila, quantas vezes o piloto que largou em 2º levou vantagem e venceu, “revertendo” a pole do rival? A supremacia é novamente de Hamilton: 9 vezes ele bateu Nico partindo da 2ª posição, contra 5 ocasiões em que Rosberg perdeu no sábado mas venceu no domingo.

Mesmo com essa opinião, não creio (pelo menos por enquanto) que o Mundial de Fórmula 1 já esteja decidido. Rosberg tem de fato demonstrado a enorme capacidade de, no mínimo, saber lutar. Mas creio que a longo prazo ele ainda depende de situações adversas do rival para ser campeão. Situações que podem e devem ocorrer (Lewis Hamilton fatalmente perderá 10 posições no grid em um GP, pois restam 9 corridas e ele já “esgotou” o limite de substituição de algumas partes de seu motor. Lewis também possui duas advertências da direção de prova, e em caso de uma terceira também perderá 10 posições). Em resumo: Nico é perfeitamente capaz de derrotar Hamilton em uma prova, mas vencer um campeonato é outro cenário.


Mas todo esse texto envolve, na sua essência, algo positivo: a rivalidade e as disputas em pista entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton podem sim marcar a década e entrar para a história da Fórmula 1. Assim como outras rivalidades do passado, vejo como elevada a possibilidade de, em alguns anos, olharmos para trás e reconhecermos como a grande marca desta década a rivalidade entre o alemão e o inglês. O que é algo bastante saudável... Faz muito bem para a Fórmula 1 ter esse tipo de “marca” associada ao seu passado. Será certamente melhor do que simplesmente lembrar estes tempos apenas como a “Era Mercedes”.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Coluna do Leitor: Contradições (ou paralelos) na rivalidade entre companheiros de equipe

Com grande honra o quadro COLUNA DO LEITOR estreia no blog com texto do grande parceiro Marcelo Cesarino. Que seja a primeira de muitas (e de muitos)! O texto é sobre um tema que também abordarei no próximo texto.


Olá Amigos do Além da Velocidade,

Aqui começa um espaço para os leitores e fãs do automobilismo deixem seu legado neste grande mundo louco da internet. Primeiramente, gostaria de dizer que estou muito honrado por poder escrever aqui e ainda mais sendo o pioneiro. Espero não decepcionar, Mestre Fábio Campos! Sem contar que sou grato de conhecer pessoas como os “Thiagos”, Bárbara Franzin e todos aqueles que participam do podcast “Café com Velocidade”.

É muito legal saber que ainda existem pessoas que curtem muito o automobilismo, que estudam este esporte e ajudam  propagar essa nossa “febre”, ainda mais nesta fase triste e decadente que vive o esporte no Brasil, em que a grande parte das pessoas apenas se interessam quando um brasileiro vence.

Bom, vamos lá! Quando Fábio Campos me convidou para fazer este texto, pensei muito no que escrever e não chegava a uma conclusão. Pensei, inicialmente, em escrever sobre a F1 em 2016 e a fase atual da briga Rosberg e Hamilton, mas relutei, pois ao ver muitas pessoas especializadas ou que se dizem especializadas falando do assunto, o que eu poderia agregar?

Posteriormente, pensei em escrever sobre o passado da F1, aqueles que são os meus anos preferidos: o final dos anos 70, anos 80 e o princípio dos anos 90. Entretanto, sei que muita gente não gosta desse “nostalgismo” e muitos outros - mais novos - não viveram estes tempos e por isso não possuem conhecimento do que essa época representou a F1.

Nesta dúvida atroz, resolvi fazer um paralelo da disputa atual entre Hamilton X Rosberg e a disputa Prost x Senna no final dos anos 80, tentando tirar as diferenças e semelhanças da situação, embora eu acredite que não haja tantas semelhanças assim.

Como semelhança principal temos, neste momento, dois pilotos empenhados em buscar o título de campeão do mundo, sendo que um é “multi-campeão” e o outro não é campeão e sofre uma grande pressão pessoal e da imprensa para se tornar um, assim como aconteceu em 1988. Outra semelhança com 88 é que um dos pilotos é extremamente talentoso, arrojado e que gosta de correr riscos. O outro é mais técnico, calmo e extremamente prudente dentro e fora das pistas. Ambos dentro de uma equipe que por hora, permite a “contra gosto” que seus pilotos disputem o título.

As semelhanças param por aí. O restante é tudo muito diferente de 1988, começando pelo contexto e filosofia da época. Não existia essa política tão pesada, e por que não dizer tão desgraçada, das tais “ordens de equipe”. Política essa, que foi abraçada e idolatrada pela Ferrari, principalmente na “Era Schumacher”, e que tão mal fizeram à Fórmula 1. Disputa entre companheiros de equipe na pista era algo normal e era impensável que engenheiros e chefes de equipes estipulassem, a todo o momento, que o piloto número 1 deve ficar sempre à frente do número 2.


Saindo da política e entrando na capacidade de cada piloto, chegamos o coração da questão. Prost e Senna, a despeito dos números, foram (ou são) pilotos melhores que Hamilton e Rosberg. Os dois, em 1988, eram mais maduros e completos do que Hamilton e Rosberg são hoje. E algo mais grave, a diferença técnica (ou capacidade!) entre Hamilton e Rosberg é muito maior que a diferença entre Senna e Prost, pois estes dois últimos praticamente se equiparavam. Rosberg, que recebe constantes críticas minhas, é um piloto limitado, pouco arrojado e que tem muitas dificuldades em superar situações adversas, vide seu desempenho em corridas com chuva, por exemplo. Ainda para piorar, Rosberg não usufrui de plena confiança da cúpula da Mercedes, que já o viu “falhar” algumas vezes na hora decisiva. Por isso teve que sofrer até para renovar o seu contrato com a equipe, vendo o fantasma de Pascal Werhlein crescer dentro do time alemão.

Sabidamente Hamilton é mais piloto que Rosberg e é o favorito a ser campeão em 2016, mas isso significa que necessariamente ele deve ser o campeão deste ano? Não.

Se Rosberg conseguisse manter o ótimo ritmo e força mental que teve no início do ano contra “os excessos e imprudências” de Hamilton, mereceria ser campeão. Entretanto, o momento do campeonato é diferente, e Hamilton tem sido sistematicamente mais rápido nos últimos GPs. Até por isso, nem critiquei muito Nico por sua manobra contra Hamilton na Áustria. Depois de fazer a sua melhor corrida na F1 até a última volta, ele não podia ser ultrapassado por fora na única chance que Lewis tinha. Embora fosse um prejuízo de pontuação menor, seria uma “amarelada” muito grande e Rosberg precisa mostrar que tem condições de ser campeão.

Bom, acho que alonguei demais. Finalizando, o mais importante: acima de qualquer discussão, é que tenhamos um restante de campeonato muito disputado dentro da pista entre os dois postulantes ao título e acima disso, que o campeonato não seja decido em “rádios” durante as corridas ou em reuniões fechadas dos cartolas da Mercedes. Que vença o mais merecedor


Abraços a todos and keep yourself alive!